Blog de camaradasparna


08/07/2013


O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - PAARTE VI

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João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

 

TENTATIVA DE TRANSFORMAÇÃO DO PT EM ORGANIZAÇÃO TROTSKISTA

O Partido dos Trabalhadores é uma organização ainda indefinida sob o aspecto político-ideológico. Tende para a social-democracia, embora criticando certas posições dessa corrente. Nega ser um partido burguês, mas não se pode caracterizar como partido operário. Ideologicamente situa-se no campo da pequena-burguesia e, no quadro político, aspira a se tornar trade-unionista.

Desse modo, é terreno propício à atividade em suas fileiras de variadas correntes, sobretudo das que se opõem ao socialismo científico. Aí atuam setores anticomunistas da Igreja, alguns renegados do verdadeiro partido da classe operária, os trotskistas de diferentes matizes e, sem dúvida, também os carreiristas políticos.

Mas no PT há setores sadios, sindicalistas sinceros, democratas conseqüentes, trabalhadores combativos. Formam, aliás, a parte principal dos que fundaram e sustentam o Partido dos Trabalhadores.

Penetrando nesse Partido, os trotskistas tinham em vista preparar as condições para mudar o caráter da organização e dela se apossar. Seus intentos dentro do PT nunca foram honestos. Em 1982, declararam abertamente que seu objetivo atuando nas hostes petistas era transformá-las num partido trotskista, ligado à IV Internacional.

"Aos trotskistas, que batalham no interior do PT, como fração consciente, cabe trabalhar lealmente(!) procurando vincular o PT ao combate pela Internacional Operária, que para nós, trotskistas, não é outra coisa senão a IV Internacional" (o grifo é nosso) ("Resolução do VI Congresso da Organização Socialista Internacionalista", trotskista).

As publicações trotskistas em diversos países apresentam-no como se fora um partido na senda do trotskismo.

Ao mesmo tempo que buscam dominar o Partido dos Trabalhadores, abrem luta com o que chamam de sua "ala direita", ou seja, os que não rezam pela cartilha dos partidários de Trotsky.

"O comportamento dos trotskistas deve ser claro: combater decididamente a ala direita (...) representada por uma parte da cúpula do partido" ("Resolução do VI Congresso da OSI", trotskista).

Airton Soares, um dos fundadores do PT e líder da bancada petista na Câmara Federal, é considerado pelos trotskistas como "o porta-voz da ala direita (...) que assumiu nitidamente uma posição de porta-voz da burguesia no interior do partido" ("Resolução da OSI", já citada).  Os trotsquistas tomam resoluções sobre os movimentos sindical, do funcionalismo público, dos estudantes etc. para serem aplicadas pelo PT. Ditam, na prática, a orientação e a linha de conduta desse partido em tais movimentos. Eles se opõem acintosamente à unidade dos estudantes dentro de suas organizações tradicionais, a UNE e a UBES. Querem transformá-las em instrumento de sua manipulação sectária. Numa resolução da OSI, de maio de 1983, se lê:

"Para desenvolver esta batalha (varrer a direção unitária da UNE), os trotskistas se lançam na organização dos estudantes do PT, impulsionando a construção de núcleos, a realização de encontros por universidade, cidade, estado e nacional" (...) "Constatam que é em torno do PT que se agrupa o núcleo da oposição à direção da UNE".

Salta à vista que os trotskistas utilizam o PT como simples instrumento da sua política. E quanto à UBES, proclamam que o centro de preocupação dos partidários de Trotsky é:

"a intervenção no interior do PT, no sentido de que os secundaristas do partido se engajem na construção da Oposição (...) Para nós, trata-se de ter como eixo de intervenção, no interior do PT, a construção de núcleos por escolas (...) O engajamento dos petistas na luta contra a diretoria (da UBES) é fundamental na constituição da Oposição".

De fato, nos Congressos e Encontros estudantis, os trotskistas aparecem arrebanhando os petistas. São repetidamente derrotados pela união crescente dos estudantes de todo o país que lutam pela liberdade, pela unidade, em defesa das justas reivindicações dos universitários e dos secundaristas, contra o regime militar que oprime o Brasil há vinte anos.

No que se refere à atividade internacional, o Congresso da OSI (maio/1983) traça a linha a ser seguida pelo PT.

"No interior do PT – diz a resolução aprovada pelos trotskistas – as atividades de defesa da Revolução Política na Polônia adquirem importância na luta pela afirmação do PT como partido operário independente contra o stalinismo. Isso significa que o PT deve prolongar a sua solidariedade aos trabalhadores poloneses, ligando-se ao movimento internacional de solidariedade que se desenvolve".

Igualmente, a respeito da ação sindical e da CUT os trotskistas falam pelo Partido dos Trabalhadores.

Alguns êxitos alcançados pelo PT são atribuídos única e exclusivamente aos trotskistas em suas publicações. "O decisivo no CONCLAT – escrevem eles – foi a bancada de 200 trotskistas (...) A campanha pela libertação dos líderes sindicais respondendo a processos na Justiça Militar, também foi obra dos trotskistas (...) A CUT seria o resultado do trabalho dos trotskistas aliados à ANAM-POS" e assim por diante. A pretensão é grande. Mas não ficam nisso. Consideram que palavras-de-ordem fundamentais do PT são fruto da elaboração trotskista (o que não é de todo inexato). Enfim, o PT já seria, nesta altura, uma mescla de sindicalismo e de trotskismo em marcha para se converter numa entidade da IV Internacional.

Que se acautelem os petistas: o cavalo de Tróia dos trotskistas já invadiu seus domínios, lealmente!...

Os trotskistas não são aquilo que blasonam. Resumem-se a pequenos grupos em constante desagregação. A "Convergência Socialista" praticamente desapareceu, hoje vive em função de uma ala jovem denominada "Alicerce da Juventude Socialista". Alguns jornais deixaram de circular por falta de leitores. Eles mesmos confessam que "cai o número de militantes trotskistas" e que "a venda dos jornais" se reduz. Mas continuam ativos na sua pregação e ação contra-revolucionária.

* * *

Na luta ideológica contra os encapuzados inimigos da revolução, torna-se necessário desmascarar também o trotskismo. Isto faz parte do combate geral pela elevação do nível de consciência política das grandes massas que precisam distinguir, na complexidade da luta de classes, o joio e o trigo.

Em nosso país há um proletariado jovem surgido no curso das últimas duas ou três décadas. Não conhecem o desmascaramento, feito no passado desses camuflados adversários do comunismo. Vivendo sob ditadura feroz, teve poucas possibilidades de entrar em contato com as idéias avançadas que lhe dizem respeito. Está ansioso por fazê-lo, mostra-se receptivo aos pontos de vista revolucionários. Por isso é indispensável ajudá-lo a não se confundir, a saber separar as opiniões corretas das incorretas. Os trotskistas constituem uma das muitas variantes da política burguesa para o movimento operário. Seus dirigentes são falsos sinaleiros do caminho da revolução social.

Escrito por camaradasparna às 23h07
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O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - PARTE V

João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

O TROTSKISMO NO BRASIL

Também no Brasil atuam os trotskistas. No passado, formavam um grupelho inexpressivo que se limitava, como os seus parceiros de outras regiões, ao ataque permanente à URSS socialista e ao partido da classe operária. Faziam provocações, tentavam organizar frações no seio do Partido Comunista do Brasil, sem êxito.

Na atualidade, são mais numerosos. Durante o período da ditadura militar, quando a repressão se tornava violenta contra os autênticos revolucionários, contra os democratas consequentes e até mesmo contra os reformistas, eles começaram a ganhar terreno. Exceto elementos isolados, não eram tão perseguidos. Hoje constituem grupos que ostentam as mais variadas denominações: "Convergência Socialista", "Libelu", "Alicerce", "Centelha", "Travessia", "Peleia" etc. Uns são filiados à ala da IV Internacional que edita a Tribuna Internacional, outros à do Correio Internacional. Publicam alguns periódicos: Em Tempo, Alicerce, O Trabalho, entre outros.

Por certo tempo sua atividade foi panfletária, sem maior significação. No momento da reorganização dos partidos políticos, os trotskistas de diferentes tendências, sem exceção, integraram-se maciçamente no Partido dos Trabalhadores, presidido por Luís Inácio da Silva. Cobrindo-se com a bandeira do PT, trataram de ligar-se às massas, em especial à pequena-burguesia. Com o tempo, e astúcia, foram-se assenhoreando de posições importantes nesse partido que surgira de lideranças sindicais envolvidas nas lutas grevistas de 1978-80, sem experiência política. Muitas teses errôneas defendidas por dirigentes do PT são de origem trotskista. E não apenas conceitos políticos ou filosóficos, mas também métodos de atuação sectários, exclusivistas e até provocadores.

Ao introduzir-se no PT, o seu objetivo é buscar um ponto de apoio à sua atividade perniciosa no movimento democrático e no seio da classe operária e do povo. A finalidade que perseguem pode ser resumida da seguinte maneira: impedir ou dificultar a unidade da classe operária e das forças populares; apoderar-se, com a capa de petista, das organizações de massas que, em seguida, se transformam em entidades de uma determinada tendência política, perdendo seu caráter massivo, sendo levadas a posições estreitas e antiunitárias; bloquear a união das correntes democráticas e patrióticas; e, principalmente, tentar marginalizar o partido marxista-leninista, o PC do Brasil, arma afiada da luta pelo socialismo. Isoladamente, os trotskistas representam pouca coisa, sua desmoralização é grande. Mas acobertados com o manto do PT conseguem penetrar entre as massas usando linguagem ultra-radical como meio de atrair os trabalhadores. Seu radicalismo nada tem de revolucionário; no fundo, são reformistas, economicistas. No que respeita à política, circunscrevem-se a palavras-de-ordem gerais, abstratas, sem relação com o curso real da situação.

São useiros em lançar campanhas e jornadas irrealistas, estreitas, que se esvaziam num palavreado oco e terminam em acusações aos que não lhes seguem as pegadas. As organizações que caem sob a sua influência imobilizam-se, tornam-se arena de disputas intestinas entre grupos trotskistas. Falam muito em organização independente da classe operária no terreno sindical. Mas a orientação que preconizam é a da divisão, da fundação de múltiplas centrais sindicais que servem para isolar os trabalhadores em agrupamentos ligados a correntes políticas diversas. Por sinal, tal orientação coincide com as do imperialismo, do Vaticano e da socialdemocracia. O proletariado precisa de liberdade sindical, da independência de seus sindicatos frente ao Estado e aos patrões. Mas ao lutar pela liberdade e autonomia sindical, em defesa dos seus interesses vitais, os trabalhadores almejam a unidade da classe, opõem-se ao fracionamento, à divisão de suas fileiras o que favorece unicamente ao capital, à exploração burguesa.

Entre a juventude, os trotskistas promovem atividades dissolventes, desagregadoras, desmoralizantes. Tratam de explorar o sentimento de renovação e rebeldia sempre presente nos jovens, ansiosos de liquidar os tabus, os preconceitos, os empecilhos levantados pelo mundo burguês ao progresso social e cultural. Introduzem idéias malsãs, propagam, como se fossem progressistas, deformações e vícios da sociedade capitalista em decomposição.

Minoria insignificante nos movimentos de massa, procura impor opiniões e projetos recorrendo a métodos fascistas. Por meio do tumulto, da balbúrdia, das vaias dirigidas criam um ambiente de confusão nos atos massivos, buscando impedir dessa forma o pronunciamento e a argumentação dos que não comungam de seus pontos de vista. Com isso comprometem a própria imagem do Partido dos Trabalhadores que aparece como organização adversa à democracia..

Escrito por camaradasparna às 23h05
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O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - PARTE IV

A IV INTERNACIONAL

Rejeitado pelo povo soviético, Trotsky iniciou no exterior sua atividade tendenciosa. Em contraposição à III Internacional leninista, fundou um arremedo de organização mundial por ele denominada de IV Internacional que no período da Segunda Grande Guerra se dispersou por falta de apoio. Os trotskistas tentaram reconstruí-la em 1943. No começo da década de 1950, sumiu novamente. Voltaram à liça em 1963, sem resultados positivos. Reuniram-se novamente em 1982, e a crise continua.

A atividade geral dos trotskistas, bastante escassa, reanimou-se após as infâmias de Kruschev acerca da atuação de Stalin. Ao difundir calúnias e inverdades sobre a construção do socialismo na URSS, os renegados revisionistas prestaram relevantes serviços à burguesia e ao imperialismo. Na onda que levantaram contra o comunismo, ergueram-se também os trotskistas. A expansão do revisionismo, atingindo os partidos comunistas que se converteram em organizações social-democratas, abriu igualmente caminho aos trotskistas. Conseguiram assim avançar um pouco mais em alguns países, notadamente na França, nos Estados Unidos, na Argentina.

Atualmente, estão divididos em duas alas internacionais, ambas reivindicando a paternidade da IV Internacional. Uma, intitula-se Centro Internacional de Reconstrução; a outra, Liga Internacional dos Trabalhadores. A primeira edita o jornal Tribuna Internacional, a segunda, o Correio Internacional. As duas baseiam-se no "Programa de Transição" escrito por Trotsky em 1938. Estas alas subdividem-se em vários grupelhos em distintos países. Mas todos defendem linha idêntica, diferente apenas em nuances, linha anti-revolucionária, antiunitária, de ataque aos movimentos marxistas-leninistas. Não obstante, a luta entre elas toma em determinados momentos formas agudas. Em seu número de março/abril de 1983, o Correio investe contra o SU (Secretariado Unificado) que teria utilizado um "entrismo sui generis", votando resolução favorável ao ingresso dos trotskistas (disfarçadamente) nos partidos comunistas (revisionistas) e chamando Fidel Castro de "revolucionário formidável". Por sua vez, a Tribuna (outubro/1982) agride o Partido trotskista dos Estados Unidos, o SWP, que se teria afastado das linhas mestras do trotskismo, inclinando-se para o apoio a Fidel e fazendo o elogio da direção vietnamita. A contenda chega às vezes a lances vergonhosos revelando a tratantada que se passa nos bastidores trotskistas. Lambert e Villaran, figuras de proa do trotskismo, acusam Ricardo Napuri, senador peruano de tendência trotskista, "de ter roubado dinheiro do partido..."

O principal dirigente da Liga Internacional, Nahuel Moreno, afirma sem rodeios, referindo-se à luta do Solidarnosc, na Polônia, que:

"os trotskistas não deviam ter medo de fazer o jogo do imperialismo, deviam lutar pela ditadura revolucionária do proletariado, dirigida por Walesa, sem temer que essa ditadura fosse de fato a representação direta de Reagan, do Papa, de Mitterrand no seio do Estado Operário" (In Tribuna Internacional (set/1982) sobre a Conferência Mundial Aberta).

Verdade é que, na prática, o trotskismo sempre fez o jogo do imperialismo e da reação, continuamente se opôs aos interesses da classe operária e do povo.

As duas alas da pretensa IV Internacional tratam o Estado Cubano de Estado Operário:

"Não por acaso – escreve The Militant, semanário do SWP trotskista dos Estados Unidos – o Estado Operário mais democrático do mundo é também o país em que os operários e os camponeses desenvolvem o mais firme e mais profundo internacionalismo revolucionário. Este internacionalismo fez de Cuba uma inquebrantável defensora da URSS contra o imperialismo" (o grifo é nosso).

Aqui, junto com o apoio aberto à União Soviética revisionista, social-imperialista, aparece uma estranha caracterização do Estado. Certamente, Cuba fez uma revolução democrática e antiimperialista. Mas a não ser em palavras, nos discursos bombásticos de Castro, não alcançou a etapa socialista. Presentemente, é um país dependente da URSS. Quem dirige o Estado cubano não é a classe operária, mas a pequena-burguesia.

Também no que se refere à Nicarágua, onde foi iniciada uma revolução nacional e democrática que enfrenta sérias dificuldades, os trotskistas asseveram que ali começou a ditadura do proletariado:

"A constituição de milícias e de comitês pela classe operária e o campesinato, e o combate militar dirigido pela FSLN, que tinha como eixo acabar com a ditadura somozista tiveram como resultado a abertura da revolução proletária. Havíamos assinalado na época que esta revolução proletária começando na Nicarágua, desmantelando o Estado burguês, havia abalado o conjunto dos países da região" (In Tribuna Internacional (set/1982), "A Conferência Mundial Aberta Trotskista").

Como se vê, na Nicarágua, onde a classe operária não conseguiu até agora a hegemonia no processo revolucionário complexo que ali se desenrola, já se deu, segundo os trotskistas, a abertura da revolução proletária, socialista! Repete-se, tanto no caso cubano como no nicaraguense, o erro de Trotsky de confundir as etapas da revolução, de suprimi-las arbitrariamente. Em última instância, é o esforço por contrapor-se à verdadeira marcha revolucionária que exige para o seu êxito clareza na definição das etapas inevitáveis.

Com relação à União Soviética, inteiramente falsa é a caracterização que fazem do atual sistema social vigente nesse país. Dizem eles:

"São idênticas as relações de produção na União Soviética de 1917 e de 1982, só as formas políticas são diferentes (...) No plano das relações de produção devemos considerar que não há mudança qualitativa” (In Tribuna Internacional (set/1982), Resolução da IV Internacional).

Insistem ser indispensável "identificar, sob o ângulo das relações de produção, a URSS de 1917 à URSS de 1982" (Fonte citada).

Erro evidente. Começa que as relações de produção na URSS de 1917 só parcialmente eram socialistas, isto é, no setor das empresas nacionalizadas. No campo e em outros setores, as relações de produção não tinham ainda cunho socialista. Nessa época, na opinião de Lênin, havia cinco diferentes tipos de economia na Rússia: a patriarcal, a pequena produção mercantil, o capitalismo privado, o capitalismo de Estado e a formação socialista. De qualquer modo, é mecânica e destituída de fundamento a separação que os trotskistas fazem entre relações de produção e formas políticas. As relações de produção dependem do sistema de propriedade. Se a propriedade é socialista também o é o regime político. (Pode haver, no período inicial do poder proletário, diversos tipos de relações de produção, como de 1917 até 1921 ou um pouco mais, na Rússia, mas tendem a desaparecer porque a propriedade vai-se transformando em bem geral da coletividade.) Ao contrário, se o regime político deixa de ser socialista, igualmente a forma de propriedade se modifica, já não será mais socialista. Ora, na União Soviética, desde que os revisionistas se apoderaram da direção do Partido e do Estado, deixou de existir o socialismo; eles mudaram não apenas as formas políticas, mas a natureza mesma do Estado que, de ditadura do proletariado, passou a ser, conforme decisão tomada no Congresso do partido revisionista, um pretenso Estado de todo o povo. Sem ditadura do proletariado não há socialismo, mas uma forma disfarçada de dominação da burocracia erigida em classe burguesa dominante. Com as modificações operadas no regime político soviético, o sistema econômico converteu-se em capitalismo de Estado, mudando na essência as relações de produção. É bastante observar o que ocorre no setor de distribuição, parte integrante do conceito de relações de produção. Atualmente, como se dá na URSS a distribuição daquilo que foi produzido? Uma pequena parcela da população, ligada ao poder político, usufrui proventos e vantagens que lhe asseguram um modo de vida burguês, enquanto a maioria dos trabalhadores ganha salários insuficientes. Os recursos que beneficiam a diminuta camada privilegiada, burguesa, são retirados daquela parte que, na distribuição, deveria acelerar o crescimento da produção e a elevação do nível do bem-estar material e cultural do povo trabalhador. É um embuste dizer que na União Soviética dos nossos dias as relações de produção são socialistas, e as formas políticas não.

Trotsky já havia assinalado falsamente que:

"Para nós, o critério político essencial não é a transformação das relações de propriedade nesta ou naquela região, mas a mudança a ser operada na consciência e na organização do proletariado mundial, a sua capacidade de defender suas conquistas anteriores e realizar outras (...) O conteúdo fundamental da ditadura do proletariado, a expropriação, é válido sempre".

Indubitavelmente, o conteúdo fundamental da ditadura do proletariado não é a expropriação por si mesma, o que também se faz em certos casos numa revolução democrática, mas a dominação de classe do proletariado, sua luta para construir a nova sociedade. A principal conquista é o Estado de ditadura do proletariado, a liquidação de todas as formas de domínio burguês e o surgimento de novas relações de propriedade que devem ser aprofundadas e consolidadas. A União Soviética de hoje não é socialista, nem no aspecto político, nem no das relações de produção, apesar de manter a antiga expropriação, que agora serve a outros fins.

Convém destacar a desfaçatez dos trotskistas que, no período anterior a Kruschev, não faziam outra coisa senão agredir a União Soviética e o seu regime socialista, e depois que o revisionismo ali se implantou, passaram a elogiá-la, a considerar não ter havido mudanças significativas no campo das relações de propriedade.

Esforçando-se por criar um centro internacional de coordenação dos diversos grupos em que se dividem e subdividem, os trotskistas apregoam a tese de que "o internacionalismo proletário é abstrato quando não está ligado a uma Internacional". Evidentemente, o internacionalismo militante, ativo, não se relaciona, invariavelmente, com a fundação de um centro mundial, o que depende de certas condições históricas. De 1873 a 1889 não existia nenhuma internacional e nem por isso desapareceu o internacionalismo. Tampouco de 1917 a 1919. Mas todos reconhecem que, neste período, realizaram-se vigorosas manifestações internacionalistas proletárias cerrando fileiras em torno do novo poder surgido na Rússia. E depois da extinção da III Internacional, em 1943, o internacionalismo não se evaporou, nem perdeu a força. Expressou-se decididamente no apoio à União Soviética em guerra contra a Alemanha hitlerista, na condenação à agressão norte-americana à Coréia, na ajuda generalizada à luta dos povos do mundo inteiro. O que realmente o define é a conduta revolucionária dos proletários frente aos combates de classe em sua própria pátria que contribuam para abalar e liquidar o sistema capitalista mundial, é a defesa das nações socialistas, bem como a sustentação consequente dos movimentos emancipadores que têm lugar nos diferentes países. O apelo de Marx e Engels – "Proletários de todos os países, uni-vos"! – não se traduz automática e esquematicamente pela criação de internacionais. (Os fundadores do marxismo participaram da dissolução da I Internacional). O exato sentido desse chamamento histórico é o de que os proletários devem unir-se na luta revolucionária para derrubar o capitalismo e construir em todo o Globo a nova vida socialista, comunista. O argumento perrengue dos trotskistas, nesta questão, destina-se unicamente a justificar a recomposição, sempre falida, da IV Internacional desagregadora, anticomunista.

 

Escrito por camaradasparna às 23h00
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O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - PARTE III

João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

AS TÁTICAS DO TROTSKISMO

Os métodos de atuação e os procedimentos táticos do trotskismo refletem o caráter da sua orientação e linha de conduta anti-revolucionária.

A tática preferida tem como elemento constante a utilização da fraseologia ultra-esquerdista com a qual procura explorar o sentimento de revolta das massas, buscando atraí-las e instigá-las a posições extremadas que não levam em conta a situação real, os compromissos obrigatórios, a aliança com certas forças não-proletárias. É uma tática de isolamento da classe operária que, se adotada, conduziria o movimento revolucionário ao total insucesso.

O centro do ataque dos trotskistas orienta-se contra o partido do proletariado, marxista-leninista. Tudo que possa servir para enfraquecê-lo ou desacreditá-lo é por eles usado sem nenhum escrúpulo. Sabem que o partido marxista-leninista é a força impulsionadora, organizadora e conscientizadora das massas visando à revolução. Tratam por isso de difamar, deturpar a atividade dos autênticos comunistas, incompatibilizá-los com os trabalhadores por meio da mentira. Intencionalmente, confundem os marxistas-leninistas com os revisionistas, traidores da causa operária. Espalham boatos, atribuem ao partido propósitos inconfessáveis eivados de falsidade. Nesse particular, seus ataques coincidem com os da burguesia e do seu aparelho de repressão. Têm o mesmo conteúdo. Em toda parte, desde a década de 1920, pregam a construção do "verdadeiro partido" em oposição aos partidos marxistas-leninistas existentes no mundo, que seriam aparelhos burocráticos. Nunca construíram nada. O que fizeram e fazem é intrometer-se em partidos falsamente operários para tentar afastar os proletários da sua autêntica vanguarda de classe.

A arremetida furiosa contra Stalin e o stalinismo é um dos principais chavões da tática dos trotskistas. São ridículos e, ao mesmo tempo, cínicos nessa investida. Fazem coro com a campanha desencadeada pelo imperialismo e por todas as forças reacionárias objetivando a denegrir a figura e a obra do grande revolucionário proletário que foi J. V. Stalin, continuador de Lênin, construtor do socialismo na URSS à frente do povo soviético. A essa infame campanha juntaram-se Kruschev e seus seguidores, renegados da revolução e da causa suprema da classe operária. O stalinismo, se se pode empregar este termo, outra coisa não é senão a aplicação e o desenvolvimento da teoria marxista, a sistematização da rica experiência da edificação da nova sociedade na antiga Rússia. Atacando o stalinismo, por eles deturpado e apresentado como burocracia e reformismo, o que os trotskistas visam é a desorientar os trabalhadores, procurar distanciá-los dos verdadeiros revolucionários, os marxistas-leninistas, dificultar o trabalho de frente-única nas organizações de massas.

Os trotskistas adotam como método de atuação o entrismo, recomendado nos anos 1930 por Trotsky aos seus correligionários. Entrismo que significa introduzir-se sorrateiramente em partidos e organizações de esquerda com o fito de aí realizar o seu trabalho sectário, divisionista, contra-revolucionário. Isolados das massas, desmoralizados, sem condições de aparecer com a própria fisionomia diante dos trabalhadores, recorrem ao bifrontismo como meio de camuflar sua ações escusas e fazer proselitismo. A par do entrismo, organizam distintos grupos com posições aparentemente diferenciadas. Esse comportamento contraditório explica-se pela incoerência da sua "doutrina". Usam esses grupos portadores de opiniões diferentes para, como diz o velho ditado, vender gato por lebre. E ter sempre argumentos de reserva a fim de justificar sua traição aos interesses fundamentais do proletariado.

 

Escrito por camaradasparna às 22h54
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O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - PARTE II

João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

CONCEPÇÃO ESPONTANEÍSTA DE PARTIDO

Leon Trotsky jamais compreendeu a importância do partido do proletariado armado de uma teoria de vanguarda como o instrumento fundamental da revolução. Subestimou o fator consciente na dinâmica revolucionária. Polemizando com Lênin, afirmou:

"Ele (Lênin) ignora deliberadamente o fato de nós termos necessidade imperativa, não de raízes 'filosóficas' (que besteira, como se a invocação de não importa que seita não tivesse, de um ponto de vista 'filosófico', tais ou quais raízes profundas!), mas de raízes políticas reais, de um contato vivo com as massas, que nos permita a cada momento decisivo mobilizar essa massa em torno duma bandeira por ela reconhecida como sua" (Leon Trotsky in Nossas Tarefas Políticas).

Que besteira! exclama ele, aludindo a uma questão primordial, qual seja o papel do elemento consciente. No texto citado, este elemento ocupa o segundo plano, não tem maior significado. Tal idéia, aliás, vem sendo repetida no Brasil por dirigentes do Partido dos Trabalhadores, o PT (aqui, sim, se poderia dizer: que besteira!). A ideologia (as raízes filosóficas) não é devidamente considerada. O principal seria a ligação com as massas, empunhar as bandeiras por elas aceitas (note-se que, sem consciência socialista, as bandeiras reconhecidas pelas massas nunca chegarão a ser as da revolução proletária, mas as do reformismo, do economismo). Já no início do século, Lênin advertia que "sem teoria revolucionária não existe movimento revolucionário". As raízes filosóficas não são tolices, ranço desprezível, mas o substrato mesmo da luta libertadora. Tais raízes não emanam do movimento espontâneo, advêm da ciência. Daí por que a característica essencial de um partido revolucionário não é propriamente a sua ligação com as massas, ainda que essa ligação seja indispensável, mas o conteúdo filosófico da doutrina que sustenta, no caso, o marxismo-leninismo. Qualquer partido populista será capaz de manter extensos vínculos com as massas e nem por isso pode ser considerado instrumento da revolução social.

Desdenhando a teoria na formação e no desenvolvimento do partido, Trotsky perde de vista a importância do fator subjetivo no processo revolucionário. Não é acidental que os trotskistas vejam em cada movimento mais combativo das massas, ou nas crises políticas, o imediato e automático surgimento da revolução. Para eles, a greve geral (que greve? em que circunstância?) põe em pauta a derrocada do poder político... a guerra por si mesma traz espontaneamente a revolução... O trotskismo toma de maneira esquemática um único aspecto da situação sem levar em conta o problema fundamental da direção consciente, o nível em que esta se encontra e o papel que desempenha no quadro político.

As concepções de Trotsky sobre o partido são liberais, social-democratas. Lênin enfatizou que o partido do proletariado, para cumprir sua missão, tem de ser monolítico, disciplinado, vanguarda organizada da classe operária. A experiência da Revolução Russa e da de outros países mostrou toda a justeza da teoria leninista de partido que é, por sua própria natureza, contrário à existência em seu seio de grupos e frações. Trotsky, desde o início de sua atividade, sempre atuou contrariando o princípio da unidade partidária. Ele mesmo confessa em A Revolução Permanente que sua posição no interior do partido tinha sido conciliadora. Admitia, entretanto, que isso fosse apenas um equívoco no terreno organizacional, quando na verdade era a linha da unidade sem princípios. Aliou-se todo o tempo com os mencheviques russos, com os liberais e os liquidacionistas, com os chamados otsovistas (oportunistas de esquerda) para lutar contra o Partido dos bolchevistas. No início da segunda década deste século, Lênin assim se manifestou sobre o papel de Trotsky :

"É claro que Trotsky e seus iguais, os 'trotskistas e conciliadores' são mais nocivos que qualquer liquidacionista, pois os liquidacionistas declarados expõem abertamente suas concepções sendo fácil aos operários constatar o seu caráter errôneo, enquanto os senhores Trotsky e companhia enganam os operários, encobrem o mal e tornam impossível desmascará-lo e remediá-lo. Quem quer que apóie o grupelho de Trotsky sustenta uma política de mentira e de engodo dos operários, uma política de proteção da corrente liquidacionista" (V. I. Lênin, setembro de 1911).

Trotsky foi ferrenho adversário do autêntico partido proletário, da organização de vanguarda, marxista-leninista, um defensor do pluralismo ideológico no seio do partido. Nunca se integrou plenamente em suas fileiras. Somente em agosto de 1917, no VI Congresso dos bolcheviques, retornou ao Partido, dois meses antes da Revolução de Outubro. Então fazia parte de um grupo que incluía trotskistas, mencheviques e alguns bolcheviques transviados. No Partido, voltou à sua antiga prática fracionista.

TROTSKY NUNCA FOI LENINISTA

Os adeptos do trotskismo tentam cinicamente apresentar Leon Trotsky como companheiro de Lênin, como leninista; suas discordâncias teriam sido unicamente com Stalin. Não têm pudor de falar em Partido de Lênin e Trotsky, de se dizerem propagadores e continuadores do bolchevismo. Procedem desse modo para confundir os operários e as massas populares que admiram Lênin, para esconder sua real catadura contra-revolucionária.

O trotskismo sempre foi uma corrente hostil ao bolchevismo. Trotsky não só se manteve em constante oposição a Lênin como o atacou inúmeras vezes. Numa carta dirigida a Chjeidze, em 1913, logo depois da Conferência de Praga que reestruturou o Partido duramente golpeado pelos liquidacionistas, ele escrevia:

"Todo o edifício do leninismo baseia-se hoje em dia na mentira e na falsificação e leva em si o princípio venenoso de sua própria decomposição".

Assim Trotsky considerava todo o imenso cabedal teórico da obra gigantesca do continuador de Marx e Engels. Em decomposição, na verdade, estava o trotskismo, esse fruto podre do movimento operário.

V. I. Lênin, em diversas oportunidades, traçou o perfil político-ideológico de Leon Trotsky, velho conciliador, falso materialista dialético.

"Em 1903 – escreveu Lênin sobre Trotsky – foi menchevique; abandonou o menchevismo em 1904; voltou ao menchevismo em 1905, fazendo alarde de uma fraseologia ultra-revolucionária; em 1906 se separou de novo; em fins de 1906 defendeu os acordos eleitorais com os kadetes (isto é, esteve outra vez com os mencheviques); na primavera de 1907 disse que divergia de Rosa Luxemburgo em matizes individuais. Trotsky plagia hoje a bagagem ideológica de uma fração, amanhã de outra e, como consequência, se proclama situado por cima de ambas as frações. Em teoria, Trotsky não está de acordo em nenhum ponto com os liquidacionistas e os otsovistas, mas na prática está totalmente com os Golos (liquidacionistas) e os de Vperiodo (otsovistas) (V. I. Lênin, Obras Completas, vol. XVI, p. 392).

E, em dezembro de 1911, Lênin assinalava:

"Com Trotsky não se pode discutir a fundo, porque não tem opinião alguma. Pode-se e deve-se discutir com os liquidacionistas e os otsovistas convictos, porém, com um homem cujo jogo é encobrir os erros de ambas as tendências não se discute: se desmascara como... a um diplomata do mais baixo jaez" (A Diplomacia de Trotsky e Certa Plataforma, V. I. Lênin). Não somente antes, mas após a Revolução de Outubro, Trotsky hostilizou o leninismo. Na questão crucial da paz de Brest-Litovski, defendida energicamente por Lênin, e da qual dependia a própria sorte da revolução, Trotsky fez todos os esforços para derrotar a proposta do chefe do bolchevismo. Chegou a renunciar ao posto de Comissário

do Povo para os Negócios Exteriores a fim de pressionar outros camaradas a votarem contra Lênin. Negou-se peremptoriamente a participar da delegação de paz. Mais tarde, em momento difícil da revolução, forçou um debate geral sobre os sindicatos. Intentava, nessa ocasião, 1920, implantar nas entidades de massas normas rígidas de direção. Não percebia que, terminada a guerra, entrava-se num período de construção pacífica da economia. Os métodos militares e a política do comunismo de guerra estavam ultrapassados. Ele exigia que se "sacudissem" os sindicatos e os estatizassem sem ver que os sindicatos, como indicava Lênin, são organizações autônomas das massas, correias de transmissão entre a ditadura do proletariado e os trabalhadores. Para dirigir corretamente tais organizações, nessa nova fase, impunha-se a adoção de outros métodos – os da persuasão, em primeiro lugar, e não os da coerção, como queria Trotsky. Este transplantava para as entidades sindicais os métodos próprios das organizações militares. Nessa ocasião, Lênin afirmou:

"Quando comparo o folheto de Trotsky com as teses que ele apresentou ao Comitê Central e o reviso cuidadosamente, assombra-me a quantidade de erros teóricos e de evidentes inexatidões que contém".

E mais adiante:

"Trotsky incorreu numa série de erros relacionados com a essência da ditadura do proletariado" (V. I. Lênin, Os Sindicatos, a Situação Atual e os Erros do Camarada Trotsky).

Enfim, o trotskismo não é nem nunca foi leninista, mas uma corrente pequeno-burguesa, incapaz de entender o marxismo e a dialética marxista, oscilando ora para a direita, ora para a esquerda, mas principalmente para o ultra-esquerdismo. Com o passar do tempo, e ante os repetidos fracassos que sofria, Trotsky evoluiu no sentido de posições abertamente contra-revolucionárias, transformou-se num instrumento da burguesia destinado a desviar as massas da verdadeira luta emancipadora, da sua integração no partido. Esforçou-se por fazer malograr a construção do social ismo na URSS.

 

Escrito por camaradasparna às 22h49
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O trotskismo, corrente política contra-revolucionária - PARTE I

 

João Amazonas, na revista Princípios, edição de maio de 1984

O  trotsquismo continua a exalar miasmas no ambiente da luta social e política. Em toda parte onde cresce o movimento revolucionário, aí aparecem os trotskistas para confundir, diversionar, enganar as massas. Difundindo teses sectárias, intitulando-se falsamente de marxistas e até de leninistas, fazem o jogo da reação e do imperialismo. Seu alvo predileto de ataque é o partido do proletariado baseado na doutrina de Marx, Engels, Lênin e Stalin. Embora divididos em diversos agrupamentos, sua tática pouco varia. Apóiam-se nas teorias fracassadas de Leon Trotsky.

Ainda que não representem grande coisa como organização, influenciam certos setores do movimento popular, notadamente os de origem pequeno-burguesa. No passado, tinham sido amplamente desmascarados, mas as novas gerações de combatentes da causa socialista desconhecem a trajetória e os verdadeiros objetivos do trotskismo. Vale a pena recordá-los e atualizá-los a fim de ajudar as massas na luta por sua completa libertação.

TEÓRICO MALOGRADO

O trotskismo desenvolveu-se no seio do movimento operário russo nas três primeiras décadas do nosso século. Está intimamente ligado com a atuação de Leon Trotsky, intelectual pretensioso que jamais conseguiu assimilar os ensinamentos científicos do marxismo. Desde a criação dos primeiros círculos revolucionários na Rússia para combater o czarismo e organizar o partido da classe operária, Trotsky manifestou suas tendências individualistas, pequeno-burguesas, procurando ocupar de qualquer maneira as posições de chefia do movimento proletário. Na história do bolchevismo, fundado e orientado por Vladimir Ilitch Lênin, que levou a revolução à vitória em 1917, Trotsky aparece meteoricamente, em fuga constante do esforço comum para forjar aquele partido. Suas teorias, se se pode assim denominar esse amontoado de incoerências, são ecléticas e metafísicas. O conteúdo de classe é pequeno-burguês. Uma das principais teses de Trotsky é a da chamada revolução permanente, elaborada em 1906 e retocada várias vezes. Aí ele nega as etapas da revolução e a construção do socialismo num só país, introduz o aventurismo no plano da revolução mundial. Os marxistas-leninistas consideram a revolução em todo o mundo como um processo de lutas radicalizadas que se desenvolvem em níveis diversos e em distintos países, nos cinco continentes.

Antes da fase monopolista do capitalismo, Marx e Engels afirmavam que a transformação revolucionária da sociedade somente seria possível se realizada simultaneamente nos centros mais avançados. Essa opinião, entretanto, tornou-se antiquada na vigência do sistema imperialista, época em que o desenvolvimento desigual do capitalismo, as contradições geradas por esse sistema possibilitavam que a revolução proletária pudesse surgir em alguns países, ou mesmo num único, criando condições favoráveis ao seu desdobramento onde fosse mais débil o elo da cadeia imperialista. Foi Lênin, em 1915, quem chegou a essa genial conclusão de enorme significação para o movimento operário internacional. Trotsky sustentava ponto de vista contrário.

"Sem um apoio estatal direto do proletariado europeu (o grifo é nosso), a classe operária da Rússia não poderá manter-se no poder e trans-formar sua dominação temporária numa ditadura socialista duradoura. Disto não se pode duvidar um só instante" (Leon Trotsky, Nossa Revolução, 1906). Mesmo depois da vitória da Revolução de Outubro na Rússia, ele escrevia:

"Enquanto nos demais Estados europeus se mantenha no poder a burguesia, nos veremos obrigados, na luta contra o isolamento econômico, a buscar acordos com o mundo capitalista; ao mesmo tempo pode-se afirmar com toda certeza que esses acordos podem, no melhor dos casos, ajudar-nos a cicatrizar uma ou outra ferida econômica, a dar um ou outro passo adiante, porém, o verdadeiro auge da economia socialista na Rússia não será possível senão depois da vitória do proletariado nos países mais importantes da Europa" ("Epílogo da nova edição do folheto O Programa da Paz", Leon Trotsky, 1922).

Semeava desta forma o pessimismo, a falta de fé na obra da revolução que, afinal, sem o apoio estatal do proletariado europeu e sem o concurso do mundo capitalista, foi capaz de desenvolver largamente a economia socialista, criar uma nova vida, e alcançar na guerra contra o hitlerismo o triunfo mundial dos povos sobre o fascismo.

A tese trotskista da revolução permanente desconhecia o papel do campesinato como força aliada do proletariado para construir o socialismo. Julgava que a revolução

"entraria em choques hostis, não só com todos os grupos burgueses que apoiaram o proletariado nos primeiros momentos de sua luta revolucionária, mas também com as vastas massas camponesas com a ajuda das quais chegou ao poder. As contradições na situação do governo operário num país atrasado, no qual a maioria esmagadora da população é composta de camponeses, só poderão ser solucionadas no plano internacional, no terreno da revolução mundial do proletariado (os grifos são nossos)

(Prefácio do livro 1905, Leon Trotsky, escrito em 1922).

Trotsky não compreendia a ditadura do proletariado como

"uma forma especial de aliança de classe entre o proletariado, vanguarda dos trabalhadores, e as numerosas camadas de trabalhadores não-proletários, aliança dirigida contra o capital, cujo objetivo é a derrubada completa do capital, o esmagamento completo da resistência da burguesia e de suas tentativas de restauração, aliança que objetiva a instauração e a consolidação definitiva do socialismo" (V. I. Lênin, Obras Completas).

Tomada em seu aspecto mais geral, a questão camponesa inclui a união com o conjunto do campesinato numa primeira etapa da revolução (na Rússia como no Brasil), e a liquidação dos kulaks (camponeses ricos) na segunda etapa. O socialismo se constrói, como demonstra a experiência histórica, em aliança com as massas camponesas pobres que se convertem, após a coletivização da agricultura, num sólido ponto de apoio à construção da economia socialista.

Mas não apenas na subestimação do campo Trotsky comete erros. O mesmo raciocínio mecânico desenvolve em relação ao problema da libertação nacional dos povos oprimidos. Propagou a opinião de que estes somente poderiam libertar-se completamente com a vitória da revolução nas metrópoles imperialistas às quais estivessem subordinadas. Diz ele:

"Se se examinam a Grã-Bretanha e a Índia como duas variedades extremas do tipo capitalista, chega-se à conclusão de que o internacionalismo dos proletários ingleses e hindus baseia-se sobre a interdependência das condições, dos fins e dos métodos, e não sobre a sua identidade. Os sucessos do movimento de libertação da Índia impulsionam o movimento revolucionário na Inglaterra, e vice-versa. Uma sociedade socialista autônoma não pode ser construída nem na Índia nem na Inglaterra. Os dois países deverão fazer parte duma unidade mais elevada. É nisto, e somente nisto, que reside a base inquebrantável do internacionalismo marxista". (Leon Trotsky, in A Revolução Permanente).

Essa "unidade mais elevada" traz implícita a idéia de que a revolução nos países coloniais ou semicoloniais é inseparável da vitória do movimento revolucionário nas metrópoles. Ou seja, o proletariado dos países oprimidos somente poderá alcançar sua verdadeira emancipação quando a revolução for também possível no país opressor, o que é um absurdo completo.

Sua concepção da luta revolucionária com relação aos países atrasados leva ao comprometimento destes com o capital financeiro internacional. Analisando o Plano de Seis Anos do governo de Cárdenas, no México, Trotsky proclamava a necessidade de que se abrissem as portas ao capital imperialista:

"Os autores do programa – dizia Trotsky – querem construir completamente o capitalismo de Estado, num período de seis anos. Mas uma coisa é nacionalizar as empresas existentes e, outra, criar novas empresas com meios limitados e num terreno virgem. A história conheceu um exemplo de indústria criada sob a supervisão do Estado: a URSS. Mas foi preciso uma revolução socialista. (...) No México não temos uma revolução socialista, o país é pobre. Nestas circunstâncias, seria quase um suicídio fechar as portas ao capital estrangeiro. Para construir o capitalismo de Estado, é preciso o capital" (Leon Trotsky, Análise do Plano de Seis Anos, 1939).

Quer dizer, como não havia uma revolução socialista no México, o jeito era construir o capitalismo de Estado com recursos do capital alienígena que, afinal, acabou submetendo o México, vizinho dos Estados Unidos, aos banqueiros norte-americanos.

Óbvio que a "teoria" da revolução permanente de Trotsky conduz, na realidade, à não-revolução em geral. Mesmo onde a revolução viesse a ocorrer, tenderia ao fracasso. Os explorados e oprimidos teriam de marcar passo à espera da revolução no mundo inteiro, pois só assim poderiam construir com êxito o socialismo. Tal a contextura teórica do trotskismo, uma simples amostra da fragilidade das idéias em que se apóia. No terreno teórico, Trotsky foi um fracasso total. E o pior: seu pensamento é mistificador, anti-revolucionário.

 

continua...

Escrito por camaradasparna às 22h43
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01/06/2013


em familia o primogenito, a geradora e o amor do lado

em ilários momentos

a alegria na sala

o contágio

a indecisão da genda de lazer

meu fim de semana

está sendo assim...

 

Escrito por camaradasparna às 19h59
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14/03/2013


Na papa da verdade...

* ao dia da poesia

 

Em tempos de papa

A criança tem medo

Da missa pútrefada

Dos goles do padre bebo

das blasfêmias embriagadas

Da litúrgia com enfermo

Das confissões ludibriada

De benções de enterro

da mácula igreja romana

suicidando o rpóprio criador

pelos pecados da criação/criatura

peceberam que o universo noi foi criado

mais composto pela natureza da contradição

 

CELINO

Escrito por camaradasparna às 19h09
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06/03/2013


Ás Escolas agoniando e o Rei urdando...

“Quando querem transformar inteligência em traição – L. Urbana”

Os pais de alunos da rede municipal de Parnamirim deram conta que as escolas e centros infantis não estão funcionando; enfim, não começou o ano letivo.

Isto não é nenhum conto abstrato da realidade e nem muito menos história da carochinha; o real é que continua o desprezo pela educação do Município, a crise decretada pela falta de planejamento e uma política de estado, gera o que presenciamos.

As escolas municipais de Parnamirim se encontram na totalidade de 50% paralisadas, 100% dos centros infantis parados, as crianças estão sem aulas e ocupação, essas Escolas que funcionam em grandes debilidades, a merenda é servido um pão seco, falta carteira em todas essas escolas, a farda escolar não se tem previsão, falta professores, coordenadores e diretores nas escolas.

O Ministério público se quer intervém diante deste caos, por outro lado os trabalhadores em educação é lesado, o Prefeito não deu reajuste do Piso, foi negligente em não garantir um direito já oficializado pelo Supremo Tribunal Federal – STF, que é o 1/3 da carga horária que está na Lei do Piso, a demanda de professores ainda não é suficiente para a rede municipal, o quadro já é de recomposição, é preciso no mínimo de mais 500 professores para a rede municipal.

“Quando querem transformar dignidade em doença – L. Urbana”

 O reclame do Prefeito é grande, mais os 700 mil reais gasto no carnaval em Pirangi poderiam resolver tranquilamente o problema que a rede ensino enfrenta e começar o ano letivo em mínimas condições, porque, com a garantia de 1/3 da carga horária para os professores necessariamente teria que garantir mais professores em sala de aula e não fizeram este planejamento para o ano 2013, por isso que além de faltar estrutura nas escolas, falta também o quadro funcional.

A garantia da continuidade nas eleições são exatamente essas, a falta de professores, carteira, merenda e diretores de escolas. O Prefeito em seu discurso de abertura dos trabalhos na casa legislativa de Parnamirim fez promessas mais não tocou no assunto de reajuste dos trabalhadores e nem muito menos no fantasma do caos que ronda a educação, além de outras ineficiências na saúde.

Como que uma receita que só aumenta e quando chega o inicio do ano é esse descompromissos com assistências básicas para a população? O que aconteceu com “eficiência e modernidade” nos discursos do Rei?

Mauricio se sente como um Rei, que ao ser reeleito, não precisa de muita pressa, afinal de contas tem a câmara na mão e a mídia local sob a cólera, agora é só ir forjando...

 

Jocelin de Lima Bezerra – CELINO/Pte. do SINTSERP  e diretor da CTB/RN

 

Escrito por camaradasparna às 11h03
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03/03/2013


A elas que lutam e que amam...

 

Balança o filho e ao mesmo tempo ler a apostilha do concurso e assiste a novela

Pinta o quadro para ganhar o pão com estilo aquarela

Pede uma prata, vende a trufa e escreve poema

Ler a Bíblia como aprendizagem humana e não como diploma da verdade

quem serão elas?

 

Prá se defender mata um militar no Araguaia

Veste biquini e se enfeita prá amar

Escuta e curti música para se alimentar 

Com seu jeito diferente a humanidade assume a melhor forma de viver

O jeito femenino de ser!

 

*Ao 8 de Março/13

CELINO

Escrito por camaradasparna às 18h33
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26/02/2013


Pepe Escobar: “E o Oscar vai para... a CIA”


Nem nesse mundo chapado, tempos de doidos varridos, Jack Nicholson algum dia imaginou que faria duplinha com a Primeira Dama dos EUA para apresentar um Oscar de Melhor Filme.

Por Pepe Escobar, no Asia Times Online


Argo

Michelle Obama apresenta, no telão, o Óscar de melhor filme

Está mais para Hunter S Thompson que para Academia – e nada tem de presidencial. Mas marcou – lindamente – o casamento de Washington com Hollywood. Se George Clooney casa-se com o Sudão (mas não com a Palestina), por que Jack não poderia trocar fofoquinhas com Michelle? Depois disso, virá o quê? Obama partilhando inteligência com Jessica Chastain?

O casamento que realmente conta – doravante – pode estar no coração do complexo militar-industrial-Hollywood-de segurança, como em "A hora mais escura" e em infindáveis variações do etos Marvel. Mas por hora, em termos de justiça poética, nada faz mais sentido que o Oscar para "Argo", dirigido por Ben Affleck (e coproduzido por Clooney).

Aqueles mais de 6 mil votantes da Academia simplesmente não puderam resistir a um roteiro só muito frouxamente apoiado em fatos, no qual uma Hollywood cheia de recursos salva a CIA. E com certificado de aprovação by Hollywood, de bônus. Assim, como se poderia prever, foi Hollywood premiando-se, ela mesma, com um Oscar, premiando o hiper nacionalismo, heróis dos EUA e, claro, a vitória dos bons (americanos) sobre os péssimos (iranianos).

E o quanto se torna monumentalmente poética essa justiça, quando um filme sobre filme falso, que engana iranianos revolucionários durante a crise dos reféns que se arrastou por 444 dias, é coroado como melhor filme, só dois dias antes de os EUA e outros membros do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha voltarem à mesa para discutir se o Irã os estaria enganando – e construindo uma bomba atômica.

"Argo" obra para provar que o Irã odeia o Satã norte-americano, mas os iranianos amam Hollywood. Três décadas depois, os iranianos não são tão facilmente engambeláveis. Conversáveis. Vão até filmar seu contra-Argo. E a absoluta maioria da população – apesar das duríssimas sanções impostas por EUA e União Europeia – apoia um programa nuclear civil. Paralelamente, será engraçado observar a performance de "Argo" de Karachi a Caracas.

Voltando a Hollywood: como Orson Welles ensinou, é tudo falso. Até o ex-presidente Jimmy Carter admitiu, na CNN, que tudo que se vê no roteiro de "Argo" foi obra dos canadenses – ajudados pelo então embaixador no Irã, Ken Taylor. No Canadá, todo mundo sabe que foi trabalho dos canadenses. Obviamente, ninguém sabe de nada, nos EUA.

Pergunte a Christoph Shultz

O que realmente interessa nos Óscars é o tapete vermelho – e a frase imortal “O que você está vestindo?”. Num festival de desastres de guarda-roupa que bem valeriam uma investigação do FBI, havia pelo menos Charlize Theron em Dior, Naomi Watts em Armani Privé e Anne Hathaway em Prada para alegrar pupilas fatigadas. É o que rodará pelo mundo digital por todo o planeta – com a maioria os vencedores já esquecidos.

Não houve surpresas. Se Daniel Day-Lewis encarnando o Deus dos EUA, também conhecido por Lincoln, não levasse seu (3º) Óscar, a culpa seria de um ciberataque chinês. Na verdade, houve, sim, uma surpresa: o Zeus de Hollywood, Steven Spielberg, foi descartado, para beneficiar Ang Lee, diretor de "A vida de Pi". Os mais céticos imediatamente se puseram a dizer que teria a ver com Hollywood estar pivoteando-se na direção do lucrativo mercado asiático.

Quentin Tarantino disse que foi o ano dos escritores, no Oscar. Foi mesmo. Faz total sentido que seu clássico de vingança, "Django livre", tenha recebido os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante (o mestre vienense Christoph Waltz).

Para Tarantino, só um número gigante de cadáveres pode levar-nos à Justiça. Pode-se, vez ou outra, desgostar de seus excessos. Mas fato é que a sua receita para os EUA – quando o mal está à sua frente, olho no olho, você sai e manda bala – é crível, porque seus personagens são tão esplendidamente escritos. Não surpreende que o lobby das armas e fanáticos de vários calibres da National Rifle Association estejam usando "Django" como material de divulgação entre os afro-americanos. Se seguissem "Django" (“o D é mudo”) ao pé da letra, os EUA pós-apocalipse seriam bem parecidos com essa paródia de Django Sem Freios.

A Academia pode, sim, ter-se redimido, pelo menos em parte, do caso de amor com a CIA, ao dar o prêmio de Melhor Roteiro a Tarantino, não a Tony Kushner pelo totêmico "Lincoln". Afinal, Kushner – e Spielberg – construíram seu épico antiescravidão sem sequer um olhar na direção de Frederick Douglass ou de Black Reconstruction in America de W E B DuBois, onde se lê, bem claramente, que “foram os escravos fugidos que forçaram os donos de escravos a encarar a alternativa de render-se ao Norte ou render-se aos negros”.

Com pelo menos 200 mil negros no Exército e outros 200 mil como coadjuvantes, o norte teria perdido a guerra. Ou, no mínimo, o sul branco suprematista teria continuado como antes – escravos e tudo. Nada disso se vê em Lincoln.

O que os dois Oscars de "Django" provam mais uma vez é que Hollywood é doida por vingança. Mesmo que venha sob a forma de um western-spaghetti cripto-psicodélico que faria John Ford vomitar. Bem... ainda é um Oeste Selvagem. Mais selvagem que os mais selvagens sonhos selvagens de Jack Nicholson.

Tarantino talvez não seja o roteirista mais qualificado para decodificar Barack Obama, o neo-Lincoln. Que tal um western-gourmet que mostre a transição da Guerra Global ao Terror para a guerra invisível, de sombras, enquanto, no plano interno, o neo-Lincoln faz, do controle de armas misturado com drones de vigilância, meio de vida.

Ou Christoph Waltz, no papel do transviado John Brennan – confessor do então diretor da CIA, George Tenet, absolutamente bem informado e atualizado sobre “fatos e inteligência adaptados em torno da política” para justificar a guerra contra o Iraque e, depois, definindo os parâmetros para a tortura e buscando, para eles, a aprovação do Departamento de Justiça .

Imaginem uma cena, com Waltz, e o talento que é sua marca registrada – em depoimento ante a Comissão de Inteligência do Senado – como Brennan, no início desse mês – dizendo que “os regimes em Teerã e Pionguiangue continuam empenhados em construir armas atômicas e sistemas de transporte e disparo de mísseis balísticos intercontinentais”.

"Argo" é para mariquinhas. O negócio agora é Obamabomber Desembestado.

*Pepe Escobar é jornalista

Traduzido pelo coletivo de tradutores Vila Vudu


Escrito por camaradasparna às 23h27
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21/02/2013


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Marina Silva e os limites da pátria

Por Mauro Santayana, em seu blog:

É difícil saber se a Sra. Marina Silva é uma pessoa ingênua e de boas intenções, ou se optou, conscientemente, por defender os interesses das grandes potências que, sob o comando de Washington, exercem o solerte condomínio econômico do mundo e pretendem o absoluto império político. Há uma terceira hipótese que, com delicadeza, devemos descartar: desmesurada ambição de poder, sem as condições concretas para obtê-lo e exercê-lo.

Os admiradores lembram sempre sua origem modesta, o que não quer dizer tudo, mas não podem, com a mesma convicção, dizer que ela tenha mantido, ao longo da carreira, o que os marxistas chamam “consciência de classe”. Suas alianças são estranhas a esse sentimento. Ela se tornou uma figura homenageada pelos grandes do mundo, mas, sobretudo, do eixo Washington-Londres. Se ela mantivesse a consciência de classe, desconfiaria desses mimos. Para dizer a verdade, nem mesmo seria necessária a consciência de classe: bastaria a consciência de pátria.
A Sra. Silva, como alguns outros brasileiros que se pretendem na esquerda, é uma internacionalista. O meio ambiente, que querem preservar tais verdes e assimilados, não é o do Brasil para os brasileiros, mas é o do Brasil para o mundo. Quando a Família Real Inglesa e os círculos oficiais e financeiros norte-americanos cercam a menina pobre dos seringais de homenagens, usam de uma astúcia velha dos colonialistas, e fazem lembrar os franceses na aliança com a Confederação dos Tamoios, e os holandeses em suas relações com Calabar.
Os tempos mudam, os interesses de conquista e domínio permanecem, com sua própria dinâmica e solércia. Os limites intransponíveis da razão política são os da pátria. Todos os devaneios são admissíveis, menos os que comprometam a soberania nacional. Não são apenas os estrangeiros que adoçam os sonhos da defensora da natureza. São também brasileiros ricos e conservadores que, é claro, procuram dividir a cidadania, para que fiéis servidores políticos mantenham sua posição no Parlamento e nos outros poderes. Há informações de que grande acionista de banco poderoso se encarregou das despesas do espetáculo de lançamento do partido de dona Marina, que não quer ser chamado de partido. E não se esqueça de que quem sempre a financiou é um industrial enriquecido com a biodiversidade amazônica.
Não há coincidências em política. Os mentores da Sra. Silva querem que seu movimento, como ela anunciou, não seja de direita, nem de esquerda, e muito menos de centro - que é o equilíbrio pragmático entre as duas pontas do espectro. É interessante a ilogicidade da proposta. Como é possível dissociar a ideologia da política e, ainda mais, a ideologia do viver cotidiano? Esquerda e Direita existem na vida dos homens desde as primeiras tribos nômades, e são facilmente identificáveis na postura solidária de alguns e no egoísmo de outros. Sempre que pensamos em igualdade, somos, menos ou mais, de esquerda; sempre que pensamos na superioridade, de qualquer natureza, de uns sobre os outros, estamos na direita. Mais ainda: idéia é a imagem que construímos previamente na consciência, seja a de um objeto, seja a de uma conduta social e política.
Não é possível viver sem um lado. A doutrina da mal chamada Rede (apropriação apressada e ingênua do mundo da internet, que é um meio neutro) oferece essa aporia: é um partido sem partido, uma realidade sem geometria, uma idéia sem idéia.

Escrito por camaradasparna às 23h17
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04/01/2013


As ondas do Mar...

*A partir de hoje, começarei a escrever um capitulo por dia, o Livro: Memórias de um Surfista de Alma

Seu gonçalo meu Pai, dizia que o mar não tinha cabelo e é um terapia prá cabeça, eu num entendia muito essa idéia, porque tinha ainda cinco anos; não tnha a dimensão do que era o mar. Certo dia, o os filhos de seu Valdemar convenceu minha mãe a me liberar a passar o dia na Praia, que seu Valdemar ia nos levar na Xiranha¹. Seu valdemar era um mecanico bem requisitado no mercado e quando chegava o domingo ele levava a familia para a praia.

Eu que não podia sair, meu pai não era muito de ir a Praia e nem muito menos minha Mãe, só sei que essa foi minha primeira lembrança do Mar, passei a noite  sem dormir a esperar a hora da Praia, preparei minha Bóia², amarrei cordas para segurar na boia um plástico como assento na Boia e quando chegou a hora era eu, seu Valdemar, Valdemar Filho, Weligton  e binho o mais novo dos irmãos. Foi um festa e uma contagiosa felicidade, adocicada por liberdade de sair da Rua Santo Inácio situada nas Rocas.

Na Praia, a carreira para mergulhar e curtir a Bóia, aquela água fria amenizando o calor dos trinta graus de Natal e com ondas afoitas em nossa direção, as  remadas na Bóia favorecia as esquivações; era um verdadeiro bailar para se proteger da força do mar e suas corretenzas na Praia do forte, tive o contato innesquicivel com o Mar.

não sabia adimensão do mar, na escola aprendi que o mar maior que a Terra no próprio Planeta Terra, estranho né? contraditório. Mais como sei que o Mar ninguém criou, nem o designer criador com repetem livros dominantes, a explicação do Wikipédia³ responde cientificamente o que é o Mar...

"(...) A água do mar é transparente. Mas, quando se observa, ele parece azul, verde ou até cinzento. O reflexo do céu não torna o mar azul , o que torna o mar azul é o fato de que a luz azul não é absorvida ,ao contrario do amarelo e do vermelho. Também depende da cor da terra ou das algas transportadas pelas suas águas. A partir de uma certa profundidade, as cores começam a sumir do fundo do mar. A primeira cor a desaparecer é a vermelha, aos seis metros; depois, aos quinze, some a amarela, até chegar a um ponto em que só se verá a cor azul.

Durante milhões de anos, a chuva formou cursos de água que iam dissolvendo lentamente rochas de todos os períodos geológicos, nas quais o sal comum é encontrado em abundância (esse sal se soltava das rochas). Esses cursos de água desembocavam no mar. Como todos os rios correm para o mar, ele ficou com quase todo o sal."

 

Notas:

¹ Xiranha era um fusca dos anos setenta, que seu Valdemar cortou a capotaria dele e recompõs um carro que se tornou seu xodó

² Bóia era uma câmara de ar de Pneu em que enchiamos para brincar boiando sobre as ondas e ás águas das praias

³ Wikipédia é um site de informação de várias palavras e seus signifiicados 

Escrito por camaradasparna às 23h22
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03/01/2013


Fizeram a cabeça do supremo

João Quartim de Moraes *

Do ponto de vista da esquerda, é difícil saber qual dos dois, o Estadão ou a Folha, é o mais hostil. Aquele é mais arrogante, esta mais solerte. Na vasta ofensiva ideológica da direita propiciada pela Ação Penal 470 (que chamam “mensalão”), o papel mais agressivo ficou com o jornal da famiglia Mesquita.


Não somente na triagem e manipulação das “notícias”, mas também no escandaloso facciosismo dos articulistas que celebraram, unânimes, alguns com maligna euforia, a condenação a pesadas penas, sem provas cabais, de dirigentes petistas. 

Já sabíamos que por “liberdade de expressão” o Estadão entende o privilégio reservado a um punhado de donos dos grandes meios de comunicação social de conceder o uso da palavra a quem bem lhes convém. Novo, no triste episódio, é o zeloso empenho em promover a apoteose do STF, especialmente a do Grande Inquisidor Joaquim Barbosa.

Sem dúvida, Barbosa não decidiu sozinho, embora tenha conduzido o processo com zelo tenaz. Mas seu zelo, infelizmente, é seletivo. Fábio Comparato lembrou que “o severíssimo relator do ‘mensalão’, alegando doença, não compareceu às duas sessões de julgamento” do processo da lei de anistia. Pelo menos por omissão, contribuiu para que o STF perdesse ocasião preciosa de romper o hábito, arraigado em sua história, de perseguir a esquerda e ratificar as torpezas da direita. 

Em 1936 entregou Olga Benario grávida aos algozes hitlerianos, em 1947 cassou registro e mandato dos comunistas e em 1965 aceitou com estrondoso silêncio a cassação pela ditadura militar de dois de seus membros. Diferentemente do ministro M.A.Mello, eles não consideravam o golpe de 1964 um mal necessário, mas um mal puro e simples; por isso foram cassados. 

Era previsível que os membros da Corte excelsa que exibem atitudes e posições ostensivamente reacionárias não seriam brandos com os réus petistas. O mais notório, Gilmar Mendes, foi uma vez advertido pertinentemente pelo próprio Barbosa, de que não devia se comportar como se estivesse no Mato Grosso, no meio de seus capangas. Embora mais melífluo, o referido M.A.Mello, ao ousar justificar reiteradamente a necessidade da ditadura, não obstante esta ter rasgado a Constituição vigente, mostrou quais são os critérios jurídico-políticos que o norteiam.

Seria ridículo, porém estabelecer um paralelismo entre as posições ideológicas de cada membro do excelso pretório e o grau de dureza com que julgaram os réus. Mesmo porque é difícil saber se Luís Fux, ao lado de Barbosa o mais implacável perseguidor dos acusados, tem alguma ideologia além da egolatria aguda. Em todo caso, sua campanha para receber indicação presidencial para o cobiçado cargo revelou de quanta desenvoltura é capaz. Pediu apoio a Dirceu sabendo-o réu na Ação Penal 470. 

Uma vez nomeado, voltou-se contra o protetor, alegando ter ficado “estarrecido” ao ler o processo. Foi entretanto contestado frontalmente pelo ministro Gilberto Carvalho: durante sua campanha pela indicação presidencial, Fux o tinha procurado, para assegurá-lo de que “o processo não tinha prova”. Fux não ousou desmenti-lo. Decididamente, seria um risco insensato comprar dele um carro usado. Ele não é entretanto um ingrato completo: atendendo a interesses do governador Sérgio Cabral, um dos que mais se empenharam em sua candidatura ao Supremo, concedeu ao Estado do Rio de Janeiro liminar contra o veto da Presidenta à distribuição dos royalties do petróleo tal como aprovada na Câmara. 

Num corpo deliberante de onze membros, as características individuais contam muito, por mais que o corpo, enquanto tal, tenha dinâmica própria. Nenhum governante designaria, para compô-lo, alguém que sustentasse opiniões ou interesses opostos a seus critérios. Mesmo porque não seria de esperar de ninguém que votasse contra suas convicções. Consideremos o exemplo do ministro Menezes Direito, designado por Lula em 2007. Sabidamente católico fundamentalista, quando lhe perguntaram se a religião interferiria em suas decisões, respondeu que não, que ele obedeceria a critérios técnicos, jurídicos. Não sei quantos ingênuos acreditaram nisso, mas previsivelmente para quem não acredita em Papai Noel, quando entrou na pauta a constitucionalidade das pesquisas 

Na condenação de Dirceu, o zelo punitivo não se explica inteiramente por convicções ideológicas. Barbosa não parece ser um homem de direita. O frade Beto, que segundo consta, foi quem sugeriu o nome dele a Lula, pertence à esquerda católica. A explicação mais plausível para o contraste entre a hiperbólica e implacável severidade contra dirigentes do PT e a conivente benevolência em relação aos crimes da direita está no rolo compressor mediático.

Donde nossa hipótese: com poucas e honrosas exceções, nomeadamente Ricardo Lewandowski, mesmo os ministros que não são de direita conduziram a Ação Penal 470 do modo que a mediática do capital queria. Comeram na mão das “famiglie” que mandam na notícia.

* Professor universitário, pesquisador do marxismo e analista político.

Escrito por camaradasparna às 17h53
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09/12/2012


 

Oscar Niemeyer fala sobre Stálin: Quando a verdade se impõe


Estou no Rio, em meu apartamento em Ipanema, alheio à agitação que hoje, 31 de dezembro, afeta toda a cidade. Recebo, pelo telefone, o abraço de fim de ano de meu amigo Renato Guimarães, lembrando-me, com entusiasmo, do livro sobre Stálin que, meses atrás, lhe emprestei. 

Por Oscar Niemeyer na Folha de S.Paulo


Uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista.

E fico a pensar como essa publicação me chegou às mãos por um amigo, o arquiteto argelino Emile Schecroun, que hoje reside na capital francesa. E vale a pena comentar um pouco da vida desse querido companheiro, que, ao ter início a luta entre a França e a Argélia, deixou o PCF em Paris, onde vivia, para filiar-se ao partido comunista argelino e combater no seu país de origem, ao lado de seus irmãos, por sua libertação. E contar como sua mulher foi torturada e ele, um dia, preso e enviado sob algemas para a França.

Duas ou três vezes por ano Emile vem ao Rio me ver. Quer falar de política, lembrar dos velhos camaradas de Paris. Às vezes eufórico, contente com o que vai acontecendo pela Europa; outras, como na última ocasião em que me visitou, preocupado com a crise que envolve o PCF, na iminência de ter que alugar um andar da sede que projetei. 

Tentei intervir, propondo uma entrada independente que servisse de acesso aos que vão utilizar aquele pavimento... Mas logo meu amigo reage, certo de que a situação política tende a melhorar, de que os jovens da França continuam atentos ao que passa pelo mundo, prontos a protestar contra tudo o que ofende a dignidade humana.

E volto a lembrar daquele livro, a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e dançar alegremente com seus amigos.

É claro que a juventude russa já sofria a influência de escritores como Dostoiévski, Tolstói e Tchecov, a protestar contra a miséria existente, revoltados com a violência do regime czarista. Muitos, a exemplo de Dostoiévski, enviados para a prisão na Sibéria, onde durante anos ficaram detidos. Depois, como tantas vezes ocorre, a vida a levar o jovem Stálin à luta política, que, apaixonado, o ocupou até a morte.

E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo.

Ponho-me a folhear a obra, surpreso em constatar que o seu autor, depois de enorme pesquisa que se estendeu a arquivos da Geórgia, somente há muito pouco tempo franqueados a pesquisadores, levantou informações inéditas importantes sobre a vida de Stálin.

É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo. Muito animado, Renato me diz que, seguindo a linha política de sua editora, esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar.

A tarde se estende lentamente. Em breve o povo estará nas ruas a cantar - alguns esquecidos de que a miséria em que tantos vivem não se justifica, outros, como nós, confiantes em que um dia o mundo será melhor.

Artigo publicado na Folha de S.Paulo em 9 de janeiro de 2009

 

Escrito por camaradasparna às 15h50
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